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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Eventos espíritas "imponentes” para quê ? (Jorge Hessen)

Eventos espíritas "imponentes” para quê ? (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com


Allan Kardec dizia que jamais devemos dar satisfação aos amantes de escândalos. Entretanto, há polêmica e polêmica. Há uma ante a qual jamais recuaremos - é a discussão séria dos princípios que professamos. É isto o que chamamos polêmica útil, pois o será sempre que ocorrer entre gente séria, que se respeita bastante para não perder as conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem diminuirmos a estima recíproca. [1]
Chico Xavier advertiu que os dirigentes espíritas, sobretudo os comprometidos com órgãos “unificadores”, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. Devemos primar pela simplicidade doutrinária e evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades, industrialização dos eventos doutrinários.[2]
Avisou ainda o médium de Uberaba que os eventos devem ser realizados, gratuitamente, para que todos, sem exceção, tenham acesso a eles. Os Congressos, Encontros, Simpósios, etc., precisam ser estruturados com vistas a uma programação aberta a todos e de interesse do Espiritismo, e não para servirem de ribalta aos intelectuais com titulação acadêmica, como um "passaporte" para traduzirem "melhor" os conceitos kardecianos. Não há como “compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.” [3]
A presença da glamourização nas atividades doutrinárias (...) “vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos.”[4]
Infelizmente, alguns se perdem nos labirintos das promoções de shows de elitismo nos caríssimos “Congressos” espíritas. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e, sem qualquer constrangimentos e/ou inquietação espiritual, sem quaisquer escrúpulos, cobram altas taxas dos interessados, momento em que a ideia tão almejada de “unificação” se perde no tempo.
A pergunta que não quer calar é: será que o Espiritismo necessita desses eventos "grandiosos"?
Cobrar taxa em eventos espíritas é incorrer nos mesmíssimos e seculares erros da Igreja, que, ainda, hoje, cobra todo tipo de serviço que presta à sociedade. É a elitização da cultura doutrinária. Hoje vemos portais de espíritas famosos cobrando mensalidades dos assinantes.
É lentamente que os vícios penetram nos organismos individuais e coletivos da sociedade. A cobrança desta e daquela natureza, repetindo velhos erros das religiões ortodoxas do passado, caracteriza-se ambição injustificável, induzindo-nos a erros que se podem agravar e de difícil erradicação futura.
Temos responsabilidade com a Casa Espírita, deveres para com ela, para com o próximo e, entre esses deveres, o da divulgação ressalta como uma das mais belas expressões da caridade que podemos fazer ao Espiritismo, conforme conceitua Emmanuel, através da mediunidade abençoada de Chico Xavier.
Nos eventos essencialmente espíritas, deveremos nós, os militantes na doutrina, assumir as responsabilidades, evitando criar constrangimentos naqueles que, de uma ou de outra maneira, necessitem de beneficiar-se para, em assimilando a doutrina, libertarem-se do jogo das paixões, encontrando a verdade. O dar de graça, conforme de graça nos chega, é determinação evangélica que não pode ser esquecida, e qualquer tentativa de elitização da cultura doutrinária, a detrimento da generalização do ensino a todas as criaturas, é um desvio intolerável em nosso comportamento espírita.” [5]
A Doutrina Espírita é o convite à liberdade de pensamento, tem movimento próprio, por isso, urge deixar fluir naturalmente, seguindo-lhe a direção que repousa, invariavelmente, nas mãos do Cristo. Chico Xavier já advertia, em 1977, que "É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita (...) o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos (...). Se não nos precavermos, daqui a pouco, estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...).”[6]
Não vemos reais necessidades de promoção dos inócuos Congressos, Simpósios, Seminários. Mas, se esses encontros ocorressem debates  e  trocas de experiências, ótimo! Lembrando que a Doutrina Espírita não pode se trancar nas salas de convenções luxuosas, não se enclausurar nos anfiteatros acadêmicos e nem se escravizar a grupos de poder investidos de “autoridade” doutrinária.
À semelhança do Cristianismo, dos tempos apostólicos, o Espiritismo é e deve sempre ser o reflexo dos Centros Espíritas simples, localizados nos morros, nas favelas, nos subúrbios, nas periferias.
Graças a Deus (!), há muitos Centros Espíritas bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec. Assim, esperamos!

Referências bibliográficas:

[1]       KARDEC, Allan. Revista Espírita, nov. 1858, DF: Edicel 2002
[2]       Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979
[3]       Idem
[4]       Editorial da Revista O Espírita, ano 11 número 57-jan/mar/90.
[5]       Revista O Espírita/DF, ano 1992- Página “Tribuna Espírita” –Divaldo Responde- pag. 16
[6]       Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.

domingo, 13 de maio de 2018

terça-feira, 8 de maio de 2018

Exorcismos, ah! Exorcismos! (Jorge Hessen)


Exorcismos, ah! Exorcismos! (Jorge Hessen)

 Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

O Vaticano acaba de abrir as portas para seu curso anual de exorcismo em meio a uma demanda crescente de comunidades católicas ao redor do mundo. Cerca de 250 padres, vindos de 50 países, chegaram a Roma para, entre outras coisas, aprender a identificar uma "possessão demoníaca", ouvir testemunhos de colegas e conhecer os rituais para a expulsão de “demônios".

Em 2017, o papa Francisco disse a clérigos que eles "não deveriam hesitar" em encaminhar casos para exorcistas ao notarem "distúrbios espirituais genuínos". Em 1999, a Igreja Católica fez a primeira grande atualização nas regras sobre exorcismo desde 1614, distinguindo a possessão demoníaca de doenças físicas e psicológicas. [1] 

Em geral, o padre, pratica o ritual usando uma túnica branca de renda chamada sobrepeliz com uma estola roxa. A pessoa possuída pode ser atada, e água benta deve ser usada. O padre faz o sinal da cruz várias vezes em frente à pessoa ao longo do procedimento. O padre convoca santos, reza e lê trechos da Bíblia nos quais Jesus expulsa demônios de pessoas. 

Em nome de Jesus, ele pede ao demônio que se renda a Deus e vá embora, tantas vezes quanto necessário. “Assim que o padre se convence de que o exorcismo funcionou, ele reza a Deus para que impeça o espírito maligno de importunar a pessoa afetada novamente, e que, em vez disso, a "bondade e paz do nosso Senhor Jesus Cristo" se apossem dela.” [2] 

O jornal Correio Braziliense [3] publicou em 03 de julho de 2014 que o Vaticano reconheceu juridicamente a Associação Internacional de Exorcistas (AIE). A notícia foi espalhada pelo jornal L'Osservatore Romano, confirmando que a Congregação para o Clero aprovou os estatutos da associação através de um decreto. O ritual do “exorcismo” foi restaurado pelo papa João Paulo II, “quando a Igreja católica decidiu, depois de quase 400 anos, revisar o texto anterior de 1614 , devido às mudanças realizadas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e aos avanços da ciência no campo da mente.[4] 

Será que existem fundamentos coerentes a prática do exorcismo? Consta que no ritual da Igreja romana tão-somente os bispos podem autorizar um sacerdote a fazer “exorcismos”. Segundo relatos, no esconjuro, os "demos" respondem com mentiras às indagações do “exorcista” sobre a identidade e/ou os motivos da subjugação. 

Amparados no bramido beneditino “vade retro satanás!” os exorcistas exortam os espíritos satânicos a saírem do corpo dos possessos, valendo-se igualmente da invocação do nome de Deus, de Cristo e todos os anjos. Ao fim das extenuantes algazarras e invocações, sempre sob o arrimo da “reza brava”, o resultado poderá aparecer de forma ligeira , sem sustento duradouro. 

Os espíritas compreendem que os tais “demônios”, “capetas”, “coisa-ruim”, “lúcifer”, “diabo”, “satanás”, “satã”, “cão”, “demo”, “besta” etc. no senso comum, não são seres votados por Deus à prática do mal, e sim seres humanos desencarnados que se desequilibraram em atitudes infelizes perante a vida. “Na raiz do problema encontramos a necessidade de considerar os chamados “espíritos das trevas” [demônios] por irmãos verdadeiros, requisitando compreensão e auxílio, a fim de se remanejarem do desajuste para o reequilíbrio neles mesmos.” [5] 

Se o célebre “exorcismo”, aplicado consoante os rituais das igrejas não funciona , como tratar o processo de subjugação espiritual? Ora, a maioria dos Centros Espíritas dispõe de trabalhos de desobsessão. Embora saibamos que a tarefa de tratamento espiritual não é simples , pois muitas vezes obsedado e obsessor comungam um mesmo estado mental, dificultando a identificação de quem é vítima de quem. 

Há trabalhos de “desobsessão”, conforme garantem os incautos , que são mais “fortes” e “imediatos”, contudo infelizmente nesses estranhíssimos “tratamentos espirituais” são fixados apenas um imperativo urgente, o afastamento rápido do obsessor. Mas será que esse instantâneo banimento espiritual é possível? Ora, “como rebentar, de um instante para outro, algemas [mentais] seculares forjadas nos compromissos recíprocos da vida em comum?”[6] 

Portanto, são inteiramente inúteis as fórmulas e rituais exteriores para “exorcismos”, o que importa é a autoridade moral do doutrinador. Nesse sentido, a técnica da conversação [doutrinação] com os perseguidores do além estabelece uma das grandes contribuições do Espiritismo para a melhora das relações entre encarnados e desencarnados. Em face disso as reuniões de desobsessão bem orientadas são de grandiosa força revolucionária, por disseminar nas suas sessões o convite amorável do Mestre sobre o amor e o perdão. 

Referências bibliográficas:


[1]           Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-43819104   acessado em 04 de maio de 2018
[2]           Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/geral-43819104   acessado em 04 de maio de 2018
[5]           XAVIER Francisco Cândido. Caminhos de Volta, ditado por espíritos diversos, SP: edição GEEM, 1980



[6]           XAVIER, F. C. Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1970.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Selfies associadas às carências afetivas (Jorge Hessen)

Selfies associadas às carências afetivas (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com

Três jovens da cidade de Xinguara, no norte do Piauí, caíram de uma ponte ao tentar tirar uma foto no dia 22 de abril de 2018. De acordo com a polícia local, as garotas tentavam fazer uma selfies quando a lateral da ponte desabou, fazendo com que elas despencassem de uma altura de 10 metros, fraturando as pernas e pés. A ponte passa sobre o rio Cais e é utilizada como linha férrea, apesar de degastada com o tempo. As adolescentes estavam tirando selfies no local, quando a plataforma da lateral desabou com elas. [1]
Essa não é a primeira vez que uma tentativa de selfies termina mal. Na Rússia, o governo chegou a criar um manual para evitar novas mortes por esse motivo. Entre as indicações há a exibição de riscos ao subir em pontes, parar no meio da rua ou mesmo se esticar em uma plataforma de trem.
Uma pessoa de bem consigo mesma, na maioria das vezes, posta selfiess com imagens mais espontâneas, ao invés daquelas estrategicamente montadas e editadas. Pessoas mais desatentas tendem a postar selfiess às vezes mais erotizadas e exibicionistas, com o intuito de receber o maior número de “curtidas”, e com isso obterem uma falsa percepção de que são “amadas”.
Há aqueles que fazem selfiess nas academias retratando os corpos “sarados”, e se não tiverem “curtidas” e “comentários” ficam frustrados, deprimidos e aumentam os exercícios para esculturar o visual. Há, sem dúvida,  alguns transtornos que podem estar associados ao comportamento descontrolado da produção desses selfiess, como depressão, fobia social, transtorno afetivo bipolar e transtorno dismórfico corporal [2]. Tais transtornos trazem prejuízos concretos à vida do indivíduo, como isolamento social, anorexia, bulimia, automutilação e, no extremo, até suicídio.
Nesse sentido, o vício de tirar centenas de selfiess não é uma prática recomendável, até porque a “auto representação seletiva” não aumenta a autoestima e nem a autoconfiança. Normalmente, carências afetivas são as principais causas da necessidade de se expor, de chamar a atenção. Quando não preenchidas, comumente provocam situações psicopatológicas extremas.
Há pessoas (alucinadas) que vão tirar selfies próximas a animais ferozes, subindo no trilho de um trem, equilibrando-se no parapeito de uma ponte, nas culminâncias das torres ou ainda nos pontos mais altos de edifícios gigantes, que aliás têm sido uma das "modas" mais perigosas dos últimos tempos, e isso tem trazido consequências graves.
A tecnologia de registro de imagens precisa estar a nosso favor e a benefício da sociedade. Que tal se, em vez de postar constantemente o próprio retrato, postássemos imagens com informações culturais ou compartilhássemos projetos sociais importantes? Isso sim seria muito útil à sociedade. Obviamente não será através da postagem de milhares de fotos de si mesmo que se estará colaborando com a melhoria da vida no planeta.
O sentimento de inferioridade ou de baixa autoestima associa os viciados nas selfiess a uma auto exposição exagerada, a uma autonegligência ou desmazelo das coisas pessoais. O nosso avanço espiritual consiste, exclusivamente, na forma de vermos a vida, e isso nada mais é do que a demonstração de uma nova visão otimista de nós mesmos e do mundo ao nosso redor.
Pensemos nisso!
Referências:
[2]            Termo usado para designar a discrepância ou diferença entre aquilo que a pessoa acredita ser, em termos de imagem corporal, e aquilo que realmente é.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Diante das dores não existe injustiça no código de Deus (Jorge Hessen)

Diante das dores não existe injustiça no código de Deus (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com

Letícia Franco, de 36 anos, médica de Cuiabá já foi internada dezenas vezes desde 2010.  Só na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) foram 34 vezes. O grande sofrimento é causado por uma doença crônica degenerativa que fez com que ela postasse recentemente, uma espécie de despedida nas redes sociais: "Em 16 dias estarei longe, na Suíça, fazendo o que me deixará livre da dor e do medo. Acho que amanhã ou depois desligo esse facebook [...] (sic) Toda minha família deixo meu mais sincero amor", postou no dia 1º de março de 2018. [1]
Foi em 2017, quando esteve  internada e fez a traqueostomia para poder respirar, que começou a pensar no suicídio assistido. Como médica, ela sempre defendeu que pacientes de doenças incuráveis ou com morte cerebral pudessem ter essa opção. A decisão de colocar fim à vida, segundo Letícia Franco, foi extremamente difícil e envolveu questões religiosas. No momento, Franco afirma ter suspendido o plano - a possibilidade de poder ter seu caso estudado e ajudar outras pessoas que tenham a mesma doença a levou a mudar de ideia. [2]
A viagem à Suíça citada na mensagem apontava para o plano de “eutanásia” ou suicídio assistido em uma conhecida clínica que oferece esse serviço para pacientes terminais que desejam por um fim a sua vida, prática que é legal naquele país, ao contrário do que acontece no Brasil.
No Brasil, a Constituição e o Direito Penal são bem claros: a eutanásia constitui assassínio comum. Nas hostes médicas, sob o ponto de vista da ética da medicina, a vida é considerada um dom sagrado, e, portanto, é vedada ao médico a pretensão de ser juiz da vida ou da morte de alguém. A propósito, é importante deixar consignado que a Associação Mundial de Medicina, desde 1987, na Declaração de Madrid, considera a eutanásia como sendo um procedimento eticamente inadequado.
Não cabe ao homem, em circunstância alguma, ou sob qualquer pretexto, o direito de escolher e deliberar sobre a vida ou a morte de seu próximo, e a eutanásia , essa falsa piedade, atrapalha a terapêutica divina nos processos redentores da reabilitação. Nós, espíritas, sabemos que a agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser, em verdade, um bem..
Nós, espíritas, sabemos que a agonia física e emocional prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a enfermidade pertinaz pode ser, em verdade, um bem. A questão 920, de O Livro dos Espíritos, registra que “a vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores”. [3]
O verdadeiro espírita porta-se, sempre, em favor da manutenção da vida, respeitando os desígnios de Deus, buscando não só minorar seus próprios sofrimentos, mas também se esforçar para amenizar as dores do próximo (sem eutanásias), confiando na justiça perfeita e na bondade do Criador, até porque, nos Estatutos Dele não há espaço para injustiças e cada qual recebe da vida segundo suas necessidades e méritos. É da Lei maior!

Referências bibliográficas:
[1]     Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43575735, acesso em 10/04/2018
[2]     Idem
[3]     KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2002, pergunta 920

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Adolescentes que “casam” e ou engravidam precocemente (Jorge Hessen)

Adolescentes que “casam” e ou engravidam precocemente (Jorge Hessen) 

Jorge Hessen 
jorgehessen@gmail.com 

Estreando mais cedo na prática sexual e estando mais suscetíveis às influências dos adultos, as adolescentes são vítimas das induções psicológicas da sociedade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, os últimos disponíveis, indicam que 877 mil mulheres que têm hoje entre 20 e 24 anos se “casaram” quando tinham até 15. 
Segundo estudo realizado pelo Instituto Promundo entre 2013 e 2015, Maranhão e Pará são os Estados com maior prevalência de “uniões” precoces. O levantamento mostra que as meninas se “casam” e têm o primeiro filho, em média, aos 15 anos. A pesquisa atribui o “casamento” infantil a três causas principais. 
A primeira é vulnerabilidade das comunidades, caracterizada por baixos níveis de escolaridade e infraestrutura, e fraca presença do Estado. Em segundo lugar, as adolescentes querem sair da casa dos pais porque desejam começar a namorar e, por isso, veem no “casamento” uma forma de fuga das proibições dos pais. A terceira causa é a fragilidade das estruturas familiares, que leva as meninas a buscar estabilidade e segurança fora de casa. 
A ânsia por liberdade, a desestrutura familiar e a vulnerabilidade das comunidades atingem também os grandes centros urbanos, especialmente a periferia das cidades. É o retrato de um Brasil sacudido por uma violenta crise ética, alimentada pela petulância e cinismo presentes nalguns juízes do ineficaz STF (nossa suprema corte de justiça) e da desonestidade de políticos que deveriam dar exemplo de integridade moral e honradez. 
A responsabilidade também pode ser compartilhada com o povo, com os governantes, com os formadores de opinião e pais de família, que, num exercício de anticidadania, aceitam que uma nação além de corrupta seja ainda definida no exterior como o poleiro do sexo fácil, barato, descartável. É triste, para não dizer trágico, ver o Brasil ser citado como um paraíso cultural de promiscuidade, corrupção, um oásis excitante para os turistas que querem satisfazer suas taras e fantasias sexuais com crianças e adolescentes conterrâneos. 
A juventude está atônita, sem alicerces morais intensos, ofuscada, com influências extremamente sensualistas. Nas crônicas históricas, jamais um jovem teve contato tão aberto com mensagens erotizantes como nos dias atuais, graças à Internet. Esse trágico quadro moral nos remete à filosofia do prazer que impulsiona a recondução do adolescente à era das cavernas, fazendo-o mergulhar nos subterrâneos das orgias e ali entregando-se à fuga da consciência e do raciocínio pela busca do deleite alucinado pelo prazer imediato do sexo. 
No Sudeste brasileiro há casos em que meninas de 10 a 12 anos, frequentadoras dos típicos bailes (funk e análogos) engravidam. No Nordeste há diversos casos de aliciamento de menores, muitas vezes abusadas pelos próprios pais. Cada vez mais cedo, e com maior magnitude, as excitações da criança e do adolescente germinam adicionadas pelos diversos e desencontrados apelos das revistas libertinas, da mídia eletrônica, das drogas, do consumismo impulsivo, do mau gosto comportamental, da banalidade exibida e outras tantas extravagâncias, como espelhos claros de pais que relaxam em demorar-se à frente da educação dos próprios filhos. 
Uma adolescente que “casa” e ou engravida precocemente é, sem dúvida, uma pessoa cujos direitos foram violados e cujo futuro fica comprometido. O “casamento” e ou gravidez precoce ecoa a indigência e a repressão de cúmplices (família e comunidade). Não obstante esse caótico cenário, há muitas adolescentes que têm atividade religiosa oferecendo um conjunto de valores morais que as encoraja a desenvolver comportamento sexual equilibrado. 
De ordinário, uma adolescente evangelizada, fiel ao recado de Jesus (independente do rótulo religioso que abrace), é, quase sempre, bastante rígida no que diz respeito à constituição familiar e abstenção da prática sexual pré-marital. 
Lembremos que pais equilibrados produzem lares equilibrados; lares equilibrados resultam em filhos equilibrados, mesmo que resvalem em algumas compreensíveis e pequenas falhas humanas. 

terça-feira, 3 de abril de 2018

O espírito deseja, o perispírito vibra e o corpo experimenta (Jorge Hessen)

O espírito deseja, o perispírito vibra e o corpo experimenta (Jorge Hessen) 
Jorge Hessen 

Pesquisadores da divisão de doenças digestivas do Mount Sinai Medical Center, em Nova York, nos Estados Unidos, encontraram um “novo órgão” do corpo humano. A descoberta só foi possível porque eles utilizaram um novo equipamento, uma nova versão do endoscópio, mangueira com uma câmera na ponta que permite analisar o sistema digestivo. 
Para Neil Theise, professor em patologia e um dos responsáveis pela pesquisa, existe uma unidade e singularidade de estrutura ou de função do fluido intersticial, que compõe 20% do líquido do corpo. Esse fluido intersticial circunda as partes do corpo que se movem, como a pele ou o pulmão. O pesquisador jamais questiona como o fluido intersticial (densa camada de tecido conjuntivo) sobrevive a tanto estresse sem se romper. Agora se sabe que não são tecidos conectivos densos; eles são distensíveis e compressíveis espaços cheios de fluido. Isso pode inclusive ajudar a explicar como o câncer se espalha pelo corpo”, segundo Theise. [1] 
Os espíritas sabem que a nossa carcaça biológica é o espelho do corpo perispiritual. Para que futuramente a ciência avalie melhor a mecânica e a natureza do corpo humano, necessitará estudar mais profundamente a estrutura funcional do perispírito, como matriz gerenciadora das funções do corpo físico. O perispírito não tem sido estudado atualmente por ausência de instrumentos e equipamentos de laboratório mais possantes. A ciência acadêmica ainda está muito distante de conhecer e melhor entender a estrutura de funcionamento do psicossoma. 
A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projeta no corpo perispiritual e, depois, no corpo físico. Em outras palavras: quando o espírito deseja, o psicossoma vibra e o corpo experimenta. Nessa linha de raciocínio concluímos que o processo imunológico, que neutraliza o desenvolvimento de doenças (inclusive o câncer), é resultante do trabalho permanente no bem e na prática da solidariedade, da fraternidade e do perdão irrestrito, atributos estes do espírito imortal. 
Alguns embriogenistas atuais "desconfiam" da existência desse princípio e tentam, de alguma forma, comprovar essa desafiadora "matriz gerenciadora" no mecanismo da geração orgânica. Ensinam os benfeitores espirituais que o psicossoma tem função organogênica. Destarte, permite a formação do próprio organismo e funciona em harmonia com os códigos genéticos. Por essa razão, na sua ausência, o processo de fecundação seria uma composição orgânica sem forma definida (amorfa). 
O espírito, através do perispírito, "influencia o citoplasma (sede das forças fisiopsicossomáticas), juntamente com as funções endocrínicas, por estar fixado no sistema nervoso central e enraizado intrinsecamente no sangue, sendo o modelador definitivo da célula". [2] 
Sabe-se que se forem colocados fragmentos de tecidos orgânicos da epiderme ou do cérebro numa porção de soro em temperatura ideal, o fragmento acusa uma intensa vida. Depois de algumas horas, os produtos da excreta intoxicam o soro, impedindo, com isso, o desenvolvimento celular. Renovando o soro, as células crescem novamente. Porém, sem o governo mental, através do perispírito, em nada ficam sequer parecidas com as suas irmãs em funções orgânicas. [3] 
A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projeta no corpo psicossomático e, depois, no arcabouço físico. Em outras palavras, quando o espírito quer, o períspirito amolda e o corpo é formado de conformidade com o molde perispiritual. 

Referências bibliográficas: 

[2] XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA Waldo. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito  André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2002 

[3] As células tomam aspectos diferentes conforme a natureza das organizações a que servem e a inteligência, influenciando o citoplasma, obriga as células ao trabalho de que necessita para expressar-se, trabalho este que, à custa de repetições quase infinitas, se torna perfeitamente automático para as unidades celulares que se renovam, de maneira incessante, na execução das tarefas que a vida lhes assinala.