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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

COLEÇÃO DE "LIVROS" (E BOOKS) GRATUITOS (AUTORES ESPÍRITAS CLASSICOS)

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

“VENCER NA VIDA” E OS FASCÍNIOS UTÓPICOS (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
Brasília-DF

Na sociedade o “vencer na vida” é relativo; todos poderiam “vencer”, se se entendessem convenientemente, porque o verdadeiro “vencer na vida” consiste em cada um empregar o seu tempo como lhe apraza, e não na execução de trabalhos pelos quais nenhum gosto sinta. “Como cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. Em tudo existe o equilíbrio; o homem é quem o perturba.” [1]

É evidente que não é natural a “desigualdade extrema” na sociedade. É obra de alguns homens e não de Deus. Mas essa “desigualdade extrema” desaparecerá  quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Permanecerá porém a desigualdade do merecimento , pois que a cada um segundo seus méritos, como proferiu Jesus.” [2]

Sobre isso, li com atenção o depoimento de Fernanda Orsomarzo, uma juíza de direito do Tribunal de Justiça do Paraná, afirmando que “ralou duro” para ser Juíza de Direito. Chegou a estudar 12 horas por dia, abdicou de festas, passou feriados em frente aos livros. Sim, muito esforço pessoal.[3]  Seria hipocrisia afirmar que se tornou juíza por méritos pessoais. Justifica que tudo lhe foi favorável, pois nasceu “branca”, era da classe média, estudou em escola particular, frequentou cursos de inglês e informática, teve acesso a filmes e livros. Contou com pais presentes e preocupados com a sua formação. Jamais faltou o seu café da manhã, almoço e jantar. Nunca se preocupou com merenda ou material escolar.

Não obstante seu esforço individual, no entanto, afiança que nada conquistaria sem as inúmeras oportunidades proporcionadas pelo fato de ter nascida “branca”e no seio de uma família de classe média bem estruturada. Justifica não ter mérito porque na competição em busca do “vencer na vida”, teve todas as vantagens desde que nasceu. Por isso, segundo afirma,  não é justo ser exigido que alguém  que sequer tem professores pagos pelo Estado entre nessa competição (“vencer na vida”)em iguais condições.

Alega que o discurso embasado na meritocracia desresponsabiliza o Estado e joga nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e da falta de políticas públicas. Segundo Orsomarzo, a meritocracia naturaliza a pobreza, encara com normalidade a desigualdade social.

Em que pese Fernanda ter um discurso charmoso, talvez resvale para uma ideologia  capciosa. Sob o ponto de vista espírita não anuímos com a sua arenga. Observemos o seguinte  cenário: abre-se vaga para médico, através de um concurso público (confiável). Poderão se inscrever os que satisfazem as exigências legais. Apresentam-se dois candidatos. O primeiro é filho de um professor, estudou em uma faculdade “de ponta”, teve no lar todos os estímulos para estudar todos os livros necessários e nunca precisou trabalhar. O segundo candidato é órfão de pai desde criança. Sua mãe é uma diarista, criou cinco filhos com enormes dificuldades. Esse candidato não teve muito tempo para estudar; sem livros, tendo que trabalhar desde cedo, estudando à noite em uma faculdade “fuleira”, pouca alimentação etc.

Pergunta-se: qual deles dois, considerando-se que possuem a mesma inteligência e se prepararam para o concurso, está, teoricamente, em melhores condições de vencer a disputa? Obviamente, o primeiro candidato.

Para os espíritas a meritocracia faz sentido a partir de uma abordagem reencarnacionista, e torna justa a lei de Deus. As nossas encarnações são construídas segundo duas variantes: a necessidade evolutiva e os resultados de nossas ações de vidas pregressas.

O primeiro candidato (filho do professor) pode ter sido um filho de lavadeira em reencarnação anterior, e que, superando todos os obstáculos, fez o melhor que pôde, adquirindo merecimentos, que lhe são considerados na existência atual. O segundo candidato (filho da lavadeira) talvez tenha sido um filho de professor no passado, que tendo recebido todas as facilidades em existência hipotética, desconsiderou-as, levando uma vida de ócio ou devassidão. Retorna, pela reencarnação, ao cenário da Terra, com dificuldades redentoras para, através da vida custosa, reeducar-se perante si mesmo. E assim a justiça se faz e o princípio do mérito torna-se aplicável às diferentes situações da vida.

Meritocracia (do latim meritum, "mérito", e do sufixo cracia, "poder") indica posições ou colocações conseguidas por mérito pessoal. É comum se fazer referência à meritocracia espírita, designada por Kardec como aristocracia intelecto-moral, desmerecendo-a por analogia à meritocracia vigente. A meritocracia espírita é fundamentada nas conquistas morais do Espírito encarnado. Os conceitos do Espiritismo defendem a meritocracia do ideário liberal, a liberdade individual e quem pugna por esses valores não deve ser tido como um reacionário.

O princípio da improfícua ideologia igualitária sempre fascinou a mente revoltosa, porque parece ser mais “justa”, e atender melhor à parte mais “desprotegida” da sociedade. Irrisão! Essa ideologia carrega consigo uma mancha execrável. Não é capaz de respeitar o que é inerente ao ser humano, que é o livre arbítrio individual. Como não conseguirá jamais se estabelecer com a concordância dos cidadãos, precisa se impor à força para que os “mais iguais” (grupelhos autoritários e minoritários) liderem e dirijam a “liberdade” do resto da massa narcotizada e reprimida.

Seria hoje possível a “igualdade absoluta” das riquezas, por exemplo ou das oportunidades? Óbvio que não é possível. “A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres. ”[4] Há, teóricos que julgam ser a “igualitarismo” o remédio aos males da sociedade. 

Quase sempre tais partidário são ateus, materialistas e cultores de sistemas [coercitivos] ou interesseiros entupidos de cobiça. “Não compreendem que a “igualdade” com que sonham seria a curto prazo desfeita pela força das circunstâncias.

É importante sim combater o egoísmo, que é a chaga social, mas não correr atrás de quimeras utópicas.”[5]

Referências bibliográficas:

[1]           Kardec Allan. O Livro dos Espíritos , questão 812,  RJ: Ed. FEB, 2000
[2]           Idem, questão 806
[4]           Kardec Allan. O Livro dos Espíritos , questão 811, RJ: Ed. FEB, 2000

[5]           Idem  inciso “a”

terça-feira, 6 de setembro de 2016

NAS TENSÕES SOCIAIS O ESPÍRITA EXORA SEMPRE A EVOLUÇÃO, NUNCA A REVOLUÇÃO - Jorge Hessen

Jorge Hessen
Brasília-DF

Observemos abaixo os respeitáveis argumentos de alguns líderes residentes nas favelas do Brasil. Pronunciam tais líderes que existe hoje uma guerra urbana , porém o poder público não tem interesse em mudar esse panorama . Afirmam que a educação brasileira não melhorou para quem é pobre e favelado. Aliás, regrediu muito. No Brasil a educação não tem sido prioridade de nenhum governo. Professores são desrespeitados e seus salários aviltantes.

Lembram que a pobreza ainda jaz estacionada, contudo ser pobre não é desonra. O que falta no Brasil é respeito, é a percepção de que não há bandido só nas favelas, mas também entre os mauricinhos e patricinhas e entre os insuspeitos “colarinhos brancos”.

As mãos de obra pesadas estão nos bairros pobres, nas comunidades e nas favelas. O engenheiro calcula tudo, mas quem faz a base e levanta a parede é o trabalhador suburbano. Os endinheirados não compreendem que na morte todos vamos para o mesmo lugar. Lá no cemitério, acaba a arrogância, a prepotência, o egoísmo, o desprezo. Somos todos iguais, independentemente de cor, raça, condição financeira, religião. Deus fez todo mundo do seu jeito, não existe ninguém perfeito. 

Sem embargo da consistência de opinião supramencionada, creio que o brado de indignação, dimanado das lideranças referidas, inobstante sua lógica indiscutível, pode padecer acanhados ajustes através de alguns conceitos doutrinários. 

Notemos, pois.

Concordamos que os benefícios do desenvolvimento material não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre afortunados e deserdados (ricos x pobres) é colossal. Essa tendência pode ser ameaçadora para o equilíbrio social, por isso é urgente corrigi-la. Caso contrário, as bases da segurança global poderão estar seriamente ameaçadas. 

Sabemos que o conhecimento e a tecnologia a nosso favor, necessários para sustentar toda a população e reduzir os impactos das desigualdades materiais, até porque os desafios econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e, juntos, podemos criar, de início, soluções emergenciais para que evitemos o caos total em pouco tempo.

Urge que se crie na população uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos, reduzindo os extremismos ideológicos, mormente dos discursos ardilosos dos políticos desonestos, alguns fantasiados de “pais dos pobres”, e entronizar-se entre nós a verdadeira solidariedade. A sociedade deve construir novos modelos de convivência lastreados na fraternidade e no amor. A falta de percepção da interdependência e complementaridade entre os cidadãos gera uma visão individualista, materialista, separatista. Isso não é nada auspicioso. 

Os espíritas, compreendemos e explicamos muitos fenômenos sociais e econômicos através da pluralidade das existências. Não somos arautos de revoluções porque cremos na evolução, isto é, os espíritas somos evolucionários e não revolucionários, e a nossa proposta é para mudanças na intimidade do ser humano; não contemporizamos com as injustiças, todavia entendemos bem a concentração de riqueza que necessariamente nem sempre significa a ausência de fraternidade, ou manutenção de privilégios e de excessos no uso dos bens, das riquezas e do poder de uns poucos em detrimento do infortúnio da maioria. 

Indagado sobre a desigualdade verificada entre as classes sociais, o Espírito Emmanuel esclareceu que “a desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso, consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus Cristo; a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos”.[1] 

Finalizo com as palavras do notável Leon Denis que enunciou: “O Espiritismo é, ninguém se engane, um dos maiores acontecimentos da história do mundo. Assim hoje, em face das doutrinas religiosas enfraquecidas, petrificadas pelo interesse material, impotentes para esclarecer o Espírito humano, ergueu-se uma filosofia racional, trazendo em si o germe de uma transformação social, um meio de regenerar a Humanidade, de libertá-la dos elementos de decomposição que a esterilizam e enodoam”. [2]

Referências bibliográficas:

[1] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, questão 55

[2] Denis, Leon. Depois da Morte, capitulo 24, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1998