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domingo, 21 de janeiro de 2018

Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita Francês pós-Kardec

Espiritismo à Francesa: a derrocada do Movimento Espírita Francês pós-Kardec

sábado, 20 de janeiro de 2018

O espírita não pode ser “miragaia de presépio” (Jorge Hessen)


Jorge Hessen

Será que Kardec algum dia imaginou que no futuro no Brasil surgiria um padrão de divulgação do espiritismo tão estranho e extravagante? Aqui os palestrantes vão se tornando cada vez mais santificados e adorados pela liturgia mística de ingênuos seguidores “espiritas”.
Tais idólatras espargem ares de ingenuidade e vão abarrotando os indigentes e onerosos congressos espíritas, realizados não por acaso nos amplos centros de convenções, a fim de que haja superávit financeiro tendo em vista a mantença do poder da liderança do movimento espírita tupiniquim.
O tema é recorrente. Empregamos aqui algumas expressões agudas, sabemos disso, porém a postura crítica é fundamental para o desenvolvimento da racionalidade espírita em sua difusão. Sabemos que jamais se aprenderá espiritismo por catequese como ocorre nas religiões tradicionais, nem mesmo por meio de espaçosos cursos (com o uso de apostilas intuído pela FEB) e palestras repetitivas onde o público “ouve” ou “escuta” passivamente.
Espiritismo se aprende pelo método ativo, através do amplo diálogo em que os diversos debates doutrinários, psicológicos, morais, científicos, sociais são discutidos e confrontados com as hipóteses propostas pelos espíritos nas obras de Allan Kardec. Aliás, um congresso espírita, para ser produtivo deveria ter este desígnio.
Basta de idolatrias! O espírita não deve agir qual “vaquinha de presépio”, aceitando “verdades” individuais elencadas por endeusados oradores, pois cada espírita precisa descobrir-se, conhecer a si mesmo e buscar estudar os conceitos que lhe chegam para depois compará-los com os princípios dos Espíritos.
Essa deve ser a postura zelosa do espírita prudente e racional, que busca compreender, para só depois aceitar, se assim o almejar (ou não) as verdadesempacotadas pelos livros e compactadas pelos bramidos dos ilustres palestrantes.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Um pouco de luz

Um pouco de luz

Autora: Berthe Fropo

Tradução: Rogerio Migoez (rogcedm@yahoo.com.br)

               Eu li na Revista Espírita do mês de setembro, um artigo intitulado "AOS NOSSOS LEITORES" vindo da Administração da sociedade para a continuação das obras de Allan Kardec, que não passa de uma exagerada e tardia glorificação do mestre. Desde junho, a sociedade permitiu insultá-lo, criticá-lo e se dignou a dar asilo em sua Revista a dois de meus artigos, quando ela deveria ter sido a primeira a defender o homem a quem ela deve tudo, o escritor, o moralista fora de série que mais tarde fará a glória da França e a felicidade da humanidade.
               Diz a página 402:
               "Sim, defender Allan Kardec, ser seu advogado e defender sua causa, seria uma enganação. Porque ele não precisa de protetores, nem de bons dialogadores, ou artigos sensacionalistas para ser respeitado e reverenciado."
               Mas eu presumo que ele não precisa também de caluniadores ou de panfletos sensacionalistas, tão perigosos como falsos, e que não são para todo espírita sério mais do que balões de ensaio, cuja indignação geral fez justiça1.
               Eu também perguntaria à Sociedade por que decidiu por unanimidade, em uma assembléia geral, que o antigo título "Sociedade para a continuação das obras espíritas de Allan Kardec" fosse renomeado no futuro para Sociedade Científica do Espiritismo. Por que essa evolução? O que se pretendia fazer, removendo o nome do fundador, o mestre que vocês diziam ser tão respeitado e tão venerado. Em nome de todos os meus irmãos de crença, venho pedir-lhe o motivo; essa evolução é muito grave para que não tenhamos a explicação.
O nome de Allan Kardec significa comunicação dos espíritos, demonstrada de forma irrefutável, reencarnação e o progresso indefinido do espírito.
            Sociedade científica do Espirtismo não significa nada e testifica uma imensa pretensão. Parece que estamos questionando os princípios que exigiram trinta anos de estudos cuidadosos até serem admitidos. Onde estão os sábios que devem formar a nova organização? Que tipos de experiências serão entregues? Quanta confiança haverá nas demonstrações daqueles que têm um prestigitador como garantia? Tudo isso é lamentável, e vocês se dizem os discípulos sérios e judiciosos de Allan Kardec? Vocês dificilmente o demonstram.
Gostaria também de lembrá-los que o Sr. Allan Kardec pretendia fazer de uma parte de sua propriedade, um asilo para os espíritas idosos (Desejo que ele expressou no projeto de constituição do Espiritismo - Revista de 1868, páginas 375 e 387 - e sobre o qual ele falou comigo muitas vezes).
               Agora venho, em nome do meu amigo tão lamentado, exigir a execução de seus desejos, à Sociedadde anônima, exceto pelo interesse variável do fundo geral e central do Espiritismo fundado2 pela Sra. Allan Kardec, por ato em 3 de julho de 1869, perante um notário de Paris, Sociedade para a propagação das obras de Allan Kardec.
               Esta propagação não pode ser eficaz, a menos que os livros do mestre sejam baratos, foi o desejo de sua viúva, ela se impôs, apesar de sua adiantada idade, as mais difíceis privações, de modo a deixar uma fortuna real para o Espiritismo, aceitando comprometer sua saúde, já tão delicada, e ser tratada como uma avarenta para alcançar o objetivo que ela propôs a si mesma: o de divulgar a instrução moral e intelectual entre os seguidores pobres do Espiritismo, para ver crescer a obra de seu marido.
1 Veja o artigo do Tempos de 15 de agosto.       
2 Título de fundadora que lhe foi negado em sua morte nos documentos fúnebres.

               Ela deixou, além de sua propriedade, cujo terreno vale 300 mil francos, trinta e dois aluguéis, que dão uma renda anual de 8 a 10 mil francos; e uma quantia considerável de valores para pagar todas as despesas do inventário.
               A Sociedade anônima é, portanto, rica, pois já tinha 40 mil francos deixados pelo Sr. Allan Kardec quando de sua morte, mais 25 mil francos de uma casa de campo, legado de um espírita cujo nome eu não lembro; e, finalmente, os 100 mil francos doados pelo Sr. J. Guérin, o executor testamentário de J.-B. Roustaing e seu discípulo: um total de 460 mil francos, sem mencionar os lucros realizados desde a fundação.
               Parece-me que agora é a hora de baixar o preço dos livros, especialmente porque uma edição de 2.000 cópias custa:
Para o papel............ 800 francos.
Para o impressor...... 533    ─
Para o encadernador. 144    ─
TOTAL ..................1477   ─
               O que coloca cada volume ao custo de 80 centavos, que a livraria nos faz pagar 3 francos. Esta nota me foi dada pela Sra. Allan Kardec algum tempo antes de sua morte.
               Como vocês tem apenas uma ambição, a de serem trabalhadores, coloquem-se a trabalhar, respeitem a vontade dos dois fundadores do Espiritismo; pelas ações são julgados os homens, e não por suas palavras. Sejam gratos, devotados, altruístas, e quando vocês nos provarem por seus esforços e ações que vocês são os vigilantes guardiões do trabalho espírita em sua integridade, acreditem que terão adquirido o carinho e a estima de todos seus irmãos em fé, e teremos o prazer de fazer apenas uma grande família, caminhando sob o estandarte:
Fora da caridade não há salvação.
 B. Fropo

 Vice-presidente da União espírita Francesa.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Fatos pós-Kardec na França e as primeiras edições francesas de A Gênese - Resenha do livro El legado de Allan Kardec


Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

Oportuna e meticulosa pesquisa, o livro El legado de Allan Kardec, de Simoni Privato Goidanich foi lançado na sede da Confederação Espírita Argentina, em Buenos Aires, aos 3/10/2017. O livro foi redigido em espanhol; contém 440 páginas, em formato 21X14cm, e ilustrações de dezenas de documentos franceses. Editado pela Confederación Espiritista Argentina, com distribuição pela Amazon (amazom.com). 

A autora Simoni Privato Goidanich é brasileira, bacharel em Direito e Mestre em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da USP; atua como Diplomata; recebeu prêmios e frequentou na Harvard University. A serviço do governo brasileiro, já residiu nos Estados Unidos, no Uruguai e no Equador. Nos países onde tem residido, dedica-se ao trabalho no movimento espírita. Autora de artigos publicados em periódicos espíritas e dos livros: El legado de Allan Kardec; Divulgación del Espiritismo: Enseñanzas del ejemplo de José María Fernández Colavida; Mediumnidad y Pases: Preguntas y Respuestas; Oratoria a la Luz del Espiritismo; coautora do livro Pases a la Luz del Espiritismo. Organizadora e tradutora da trilogia Revista Espírita - Periódico de Estudios Psicológicos: Colección de Textos de Allan Kardec. Apresentadora do programa Reflexiones Espíritas, da Rádio Bezerra Online, de Miami (EUA). Reside atualmente em Montevidéu, Uruguai, com seu marido, que também é diplomata. Atua no Centro Espírita Redención e colabora com a Federación Espírita Uruguaya.

A apresentação do livro foi redigida por Gustavo N. Martínez, presidente da Confederação Espírita Argentina, tradutor para o espanhol de várias obras espíritas e inclusive de A Gênese, de Allan Kardec, com base na 1a edição francesa de 1868, editada pela C.E.A. no final do ano de 2017.

Simoni Privato Goidanich esteve pessoalmente em Paris acessando documentações oficiais e também na histórica Associação Espírita Constancia, de Buenos Aires, que funciona desde 1877. A autora faz um meticuloso levantamento em documentos dos Arquivos Nacionais da França e da Biblioteca Nacional da França, reproduzindo significativas páginas dos mesmos, tendo por foco o livro A Gênese e instituições como a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, da sua sucedânea, a Sociedade Científica do Espiritismo, e, da então nascente União Espírita Francesa. Além dos documentos oficiais e de Atas, a autora faz sistemáticas citações da Revista Espírita (do período administrado por Kardec e dos anos seguintes), da revista Le Spiritisme, órgão da novel União Espírita Francesa, e de obras de Allan Kardec. Simoni cita muitas vezes o livro Beaucoup de Lumière (1884), de Berthe Fropo, atualmente disponibilizado em edição digital bilíngue: a tradução em português e o original em francês. Trata-se de espírita atuante, fiel a Kardec, e, amiga, vizinha e apoiadora de Amélie Boudet. 

O livro de Simoni se divide em duas partes. Na primeira parte são tratados assuntos sobre momentos significativos dos 10 anos após o lançamento de O livro dos espíritos; os papéis desempenhados por Léon Denis e Gabriel Delanne no movimento espírita francês e o relacionamento de ambos com Kardec; todos os episódios sobre o lançamento e as primeiras edições francesas de A Gênese; e a desencarnação do Codificador. 

Na segunda parte, a autora trata de questões legais sobre o nome e o pseudônimo de Kardec; a fundação da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec; comenta o chamado “o ano terrível” (1872), relacionado com o lançamento da 5a edição de A Gênese designada como “revisada, corrigida e aumentada”; o “processo dos espíritas”; os cerceamentos inflingidos à sra. Allan Kardec e sua desencarnação; a queima de arquivos e documentos da viúva de Kardec; o alerta do biógrafo de Kardec, Henri Sausse – “Uma infâmia” – apontando 126 alterações de texto na 5a edição de A Gênese; as nefastas deturpações executadas por Pierre-Gaëtan Leymarie em instituições e na Revista Espírita; as lutas e propostas renovadoras de Gabriel Delanne e León Denis e a fundação da União Espírita Francesa, em 1882.

No livro em análise ficaram evidentes as alterações de propósitos da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, depois transformada por Leymarie em Sociedade Científica do Espiritismo, e, também na linha editorial da Revista Espírita. Sobre esta revista fundada por Kardec, anota a autora Simoni que sob a direção de Leymarie: “as páginas estavam cada vez mais ocupadas com artigos sobre teosofia [...] Estabeleceu-se um vínculo da Sociedade Teosófica com a Sociedade de Estudos Psicológicos e a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.

O livro de Simoni Privato Goidanich comprova que a Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec, dirigida por Leymarie, passou a ser dominada economicamente pelo acionista Jean Guérin, um grande proprietário, ex-dirigente político do departamento de Gironda (sendo Bordéus a capital), admirador e apoiador de J.B.Roustaing. O apoio financeiro de Guérin à Sociedade Anônima gerou a hipoteca dos bens da Sociedade e dos imóveis doados por Allan Kardec. Anos depois, tudo foi perdido por ação movida por herdeiros de Guérin. Um fato tormentoso neste ínterim foi a ampla circulação de um panfleto de divulgação da obra de Roustaing, defendido pela então direção da Revista Espírita, provocando forte reação dos amigos e defensores do legado de Kardec, inclusive Gabriel Delanne, Léon Denis e Berthe Fropo. 

Dentro desse contexto de deturpações e polêmicas, as edições francesas de A Gênese, a partir da 5a edição de 1872 (aquela “revisada, corrigida e aumentada”) é que foram autorizadas para traduções em diversos países, por Leymarie, então dirigente da Sociedade Anônima para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec. A autora Simoni mostra que o pioneiro e líder espanhol José María Fernández Colavida traduziu e publicou a 2a edição de A Gênese, de 1868, em Barcelona (Espanha), mantendo-se fiel à edição de Kardec.

Simoni comprova que até a desencarnação de Kardec ocorreram quatro edições de A Gênese. Na meticulosa pesquisa registrada e comentada no livro El legado de Allan Kardec, Simoni Privato Goidanich provou que um único exemplar de A Gênese, publicado em 1868, foi depositado legalmente durante a existência física de Allan Kardec na Biblioteca Nacional da França. Para a autora, esta edição é a definitiva e o Codificador não teria modificado o conteúdo. Entre outros fatos, a autora destaca o cuidado da época com que o Ministério do Interior fiscalizava as publicações, pois a França vivia momentos políticos tensos durante o reinado de Napoleão III.

O livro El legado de Allan Kardec tem riquíssimo valor histórico e é restaurador de importantes episódios que se encontravam encobertos. No final, registra Simoni Privato Goidanich: “A responsabilidade ante o legado de Allan Kardec é de todos os espíritas, e cada um herdará as consequências de seus atos e de suas omissões”.

Em nossa opinião o novo livro El legado de Allan Kardec reúne preciosas informações e documentação sobre as primeiras décadas em seguida à desencarnação de Allan Kardec, sendo um rico repositório da história do movimento espírita francês.

(Goidanich, Simoni Privato. El legado de Allan Kardec. 1.ed. Buenos Aires: Confederación Espiritista Argentina, 2017. 440p.)

(*) Foi presidente da FEB, da USE-SP e membro da Comissão Executiva do CEI.

Fonte: Publicado originalmente na Rede Amigo Espírita – Disponível em http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/fatos-p-s-kardec-na-fran-a-e-as-primeiras-edi-es-francesas-de-a-g acesso em 04/01/2018

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Consciência , disciplina e livre arbítrio (Jorge Hessen)



Jorge Hessen
jorgehessen@gmail.com 

Se compreendêssemos melhor os mecanismos das Leis divinas, que não estão contidas nos livros nem nas instituições religiosas, mas na própria consciência, evitaríamos infortúnios, ambições e desonras que definitivamente não estariam em nosso roteiro. Precisamos refletir as Leis de Deus, a fim de nos conscientizarmos sobre seus mecanismos, que desfecha tanto reparações (reeducações), quanto bonificações surpreendentes, sempre justas, judiciosas e controladas pela própria consciência autônoma (livre arbítrio), as quais expressam a resposta da Natureza, ou da Criação, contra a desarmonia constituída ou submissões aos códigos divinos inscritos na consciência do homem em seus suaves aspectos.

Nos estatutos de Deus não há espaço para “punições”. Ninguém está sujeito ao império estranho do “castigo”, pois este também não existe. Os altivos regulamentos do Criador, que estão inscritos na própria consciência, demonstram que a semeadura rende sempre conforme os propósitos do semeador. Ora, em verdade, a cada um a vida responde conforme seus esforços ou não de autoaperfeçoamento moral; portanto, não há exceções para ninguém. Por essa razão, fazer o bem determina o bem; demorar-se no mal gera a aflição. Por isso, importa a disciplina individual e coletiva, tão necessárias ao equilíbrio e harmonia da Humanidade.

O principal meio de modificar para melhor o resultado das nossas ações reside no controle das nossas vontades, pensamentos, palavras e ações, pois à medida que nos conhecemos melhor, reduziremos ou modificaremos as desarmonias de consciência e seremos mais independentes para decidir sobre nosso destino.

Após a desencarnação permanecem os resultados de todas as imperfeições que não conseguimos melhor graduar na vida física. A Lei divina da consciência sobre si mesmo institui que felicidade e desdita sejam reflexos naturais do grau de pureza ou impureza de cada um. A maior felicidade reflete a harmonia com essas leis, enquanto a desatenção aos próprios desejos causa sofrimento e privação de alegria. Portanto, todo crescimento moral alcançado é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.


Toda imperfeição, assim como toda falta dela decorrente, traz consigo o próprio sofrimento, inerente natural e inevitável da Lei “interna”. Assim, a moléstia retifica os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja imposição externa de “punição” ou condenação especial para cada falta ou indivíduo.

Um breve recado para os abortista de plantão (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Jorgehessen@gmail.com

Sobre a legalização do aborto, é inadmissível que pequeníssima parcela da população brasileira, constituída por alguns intelectuais, políticos e profissionais dos meios de comunicação e embebida de princípios materialistas e relativistas venha a exercer tamanha pressão na legislação brasileira. Até porque os norte-americanos estão despertando desse pesadelo hediondo da legalização do assassinato doloso de bebês nos ventres. Na contramão desse despertar americano contra o aborto, há no Brasil insanos defensores dessa prática (causídicos estes que um dia tiveram o direito de nascer) pugnando para que o aborto seja legalizado em nossa Pátria.

O primeiro país da era pós-moderna a legalizar o aborto foi a União Soviética, em 8 de novembro de 1920. Os hospitais soviéticos instalaram unidades especiais denominadas abortórios, concebidas para realizar as operações em ritmo de produção em massa. A segunda nação a legalizar o abortamento foi a Alemanha nazista, em junho de 1935, mediante uma reforma da Lei para a Prevenção das Doenças Hereditárias para a Posteridade, que permitiu a interrupção da gravidez de mulheres consideradas de "má hereditariedade" ("não-arianas" ou portadoras de deficiência física ou mental).

Gerald Warner, no Scotland on Sunday, assegura que "o lugar mais perigoso do mundo para uma criança na Escócia é o útero da mãe. Em 2010, a mortalidade infantil levou 218 crianças escocesas à morte”. [1] Ao explanar qualquer coisa sobre o alarmante delito de aborto sempre tropeçaremos em histórias assombrosas.

Não nos enganemos, a medicina que executa o aborto nos países que já o legalizaram é uma medicina criminosa. Não há lei humana que atenue essa situação ante a Lei de Deus. E há outra discussão que também se levanta: a legitimidade ou não do aborto quando a gravidez é consequente a um ato de violência física. No caso de estupro, quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, a Lei deveria facilitar e estimular a adoção da criança nascida, em vez de promover a sua morte legal.

O Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante terá possivelmente um compromisso passado com a genitora.

Com exceção da gestação que coloque em risco a vida da gestante, quaisquer outras justificativas são inaceitáveis para uma mulher decidir pelo aborto. Se compreendesse as implicações sinistras que estão reservadas para quem aborta, certamente refletiria milhões vezes antes de extinguir um ser indefeso do próprio ventre. Somente num caso a Doutrina Espírita admite o aborto: quando a gestação coloca em risco a vida da gestante, pois disseram os Espíritos a Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão 359, que é preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe.

Nunca é demasiado advertir que no aborto criminoso se fermentam as grandes enfermidades da alma, as grandes obsessões, alimentando o pátio de sanatórios e de prisões. No aspecto psíquico, o remorso é uma perigosa energia que vai corroendo gradualmente o equilíbrio emocional e permite aflorar desajustes mentais que estavam subjacentes, abrindo campo à loucura propriamente dita, sob o enfoque médico, e aos tormentos espirituais (obsessão), no argumento espírita.

Óbvio que não lançamos as execrações da censura impiedosa àquelas que estão envolvidas na via sombria do aborto já cometido, até para que não caiam na vala profunda do desalento. Expressamos argumentos cujo intento é iluminá-las com o farol da elucidação para que divisem mais adiante a opção do Trabalho e do Amor, sobretudo nas adoções de filhos rejeitados que presentemente estão empilhados nos orfanatos.

Referência:

[1] Disponível em http://www.zenit.org/pt/articles/o-aborto-e-o-infanticidio acesso 31/12/17

sábado, 23 de dezembro de 2017

Será que há espíritos de “crianças” nos domínios do além tumba? (Jorge Hessen)



Jorge Hessen
Jorgehessen@gmail.com

Um objeto de estudo instigante, cuja explicação devemos ao Espiritismo, diz respeito à situação da “criança” no além após a sua morte. Será que há “crianças” no além? E o “bebê”, como será a sua forma perispiritual quando desencarna? Será que o seu períspirito retoma a forma “adulta” ou por quanto tempo permanece “bebê” e ou “criança” no Além-túmulo? Há muitas interrogações sobre o que ocorre com as “crianças” recém-desencarnadas. Como “ela” se adapta no Mundo dos Espíritos? Sim, são inúmeras dúvidas.

Cremos que “crianças” no além são imediatamente recolhidas por familiares ou mentores, que lhes darão ampla assistência. Se são Espíritos com ótima bagagem moral, retomam a personalidade anterior. Se são de mediana evolução, acreditamos que conservam a condição infantil, que será superada com o decorrer do tempo, como sucede com as “crianças” na Terra. Podem, também, retornar à reencarnação.

Porém, pasme, segundo um famoso escritor espírita, “não há uma única manifestação mediúnica de criança nas obras de Allan Kardec”. Portanto, afirma que não existem “Espíritos crianças”, pois o período de infância, adolescência, maturidade e envelhecimento, é uma condição do corpo físico, que obedece a esse processo orgânico de maturação, próprio dos nativos do planeta Terra.

Será? É urgente contar ao notório e equivocado confrade que o Codificador publicou comunicação do Espírito de uma criança na Revista Espírita de 1859. E ainda registrou a manifestação do Espírito do menino Marcel, conforme publicado na obra “O Céu e o Inferno”, cap. 8, parte II. Aliás, antes de Kardec, encontramos personagens históricos que mencionam os espíritos de “crianças” no além. A exemplo de Swedenborg, que descreve “crianças” sendo bem recebidas no além nas instituições onde adolescem e são cuidadas por jovens mulheres. Há distintos precursores do Espiritismo que fazem alusões às “crianças” no além, a saber: Louis Alphonse Cahagnet, na França e Andrew Jackson Davis, nos EUA.

André Luiz apresenta no cap. X do livro “Entre a Terra e o Céu” acurados painéis de crianças desencarnadas. Cairbar Schutel apresenta as “crianças” no além tumba no seu livro “A Vida no Outro Mundo”; Frederico Figner (Irmão Jacob) faz menções a “crianças” no além, conforme agenda no livro “Voltei”. Informações confirmadas por Yvonne Pereira em “Cânticos do Coração, Vol II”e George Vale Owen, na obra “A vida Além do véu”, dentre outros.

Na questão 381 de O Livro dos Espíritos, o Codificador questiona aos Espíritos se na morte da criança, o ser readquire imediatamente o seu antecedente vigor. Os Benfeitores aclaram o tema afirmando que o Espírito não readquire a anterior lucidez, senão quando se tenha completamente separado do envoltório físico. E nas questões 197, 198, 199, 346 e 347, da mesma obra básica é explicado que o Espírito da “criança” não é infantil, e sim reencarnação de Espírito que teve outras existências na Terra ou em outros orbes. Especificamente na questão “199-a”, os Espíritos inquiridos por Kardec sobre o destino espiritual da criança que morre bebezinho, anotaram que o Espírito “recomeça outra existência”.

No entanto, antes do reinício de nova existência física, tais Espíritos são recolhidos em Instituições apropriadas. Há apresentações psicográficas citando escolas, parques, colônias e instituições diversas consagradas ao acolhimento e amparo às “crianças” desencarnadas. E ademais, ao reencarnar o Espírito entorpece a consciência e somente finalizará o processo reencarnatório a partir dos sete anos aproximadamente, quando se remata a reencarnação. Por isso, se a criança desencarnar no meio do processo reencarnatório, ou seja, entre os 3 anos e 4 anos, o Espírito possivelmente possa retomar imediatamente a forma adulta precedente.

Também devemos considerar o seguinte: se a “criança” desencarnada possui grande experiência no campo intelecto e moral, readquire rapidamente os valores parciais da memória, logo após a desencarnação, conseguindo, por isso, ordenar conceitos e anotações de acordo com a maturação intelectual alcançada com seus empenhos.

O mesmo não sucede com “criança” desencarnada que ainda não possui condição moral elevada. Em tal estágio, o desenvolvimento no além-túmulo é idêntico ao que se processa no plano físico, quando o Espírito é constrangido a aprender pausadamente as lições da vida e avançar gradualmente, segundo as injunções do tempo.

Morre o corpo infantil (em qualquer faixa etária), e sobrevive o Espírito imortal e eterno, com toda uma bagagem de aquisições intelectuais e morais advindas das múltiplas experiências reencarnatórias, e que integram a sua individualidade.

Recordemos que a almas ainda prisioneiras no automatismo inconsciente acham-se relativamente longe do autogoverno. Em face disso, permanecem transportados pela Natureza, à maneira de bebês no colo materno. É por esse motivo que não se pode prescindir de períodos de recuperação para quem desencarna na fase infantil. Porquanto, precisarão continuar aprendendo, estudando e recebendo esclarecimentos espirituais adaptados à sua idade e compreensão, e serão separadas por faixas de idade e entendimento, tal como ocorre aqui na Terra.

Nas fontes que examinamos, não encontramos informações de Espíritos de “crianças” nas regiões “umbralinas” – ainda bem!

Temos muito que aprender com os Espíritos.